Manifesto pela volta às aulas na rede municipal em Ruy Barbosa


ATÉ QUANDO NOSSOS FILHOS VÃO FICAR SEM AULA? MANIFESTO À COMUNIDADE DE RUY BARBOSA PELO RETORNO IMEDIATO DAS ATIVIDADES LETIVAS PRESENCIAIS NA REDE MUNICIPAL DE ENSINO 

O mundo já não é mais o mesmo... Em cerca de 1 e meio, foi preciso repensar a forma de viver em sociedade, as crises e as tantas desigualdades ainda mais escancaradas em função da pandemia global, assim como saídas possíveis para os nossos mais variados problemas. Diante da presente realidade, algumas reflexões precisam ser feitas... 

Como todos já sabem, e ninguém aguenta mais dizer isso, não há qualquer tipo de transformação social sem, antes de tudo, levar em conta a EDUCAÇÃO, que deveria ser a prioridade em qualquer governo ou época. A escola tem, dentre suas tão relevantes funções, a finalidade maior de proporcionar OPORTUNIDADES, e isso se dá a partir do desenvolvimento da identidade e da autonomia de cada criança e cada adolescente, ao longo de todo um processo de formação escolar, sequencial e pleno, o que depende da escola para existir, por meio da organização de um ambiente educativo que tem o DEVER de privilegiar interações e experiências que, de fato, promovam as aprendizagens. 

A criança, quando passa a frequentar a escola, tem, assim, a oportunidade de viver todas as dimensões do próprio EU, de estar bem e segura no seu próprio fazer e sentir, conhecer-se e ser reconhecida como uma pessoa única. Expressa sentimentos e emoções, toma decisões e aprende a assumir as suas consequências. De forma geral, a criança joga, movimenta-se, manipula objetos, tem curiosidade, faz perguntas, reflete sobre a própria experiência... É na escola que o jovem exercita o diálogo, presta atenção no ponto de vista dos outros e na diversidade deles, reconhece os seus direitos e deveres (e entende que são iguais para TODOS). 

É preciso que a própria sociedade promova toda essa reflexão, ainda mais agora, afinal, o mundo mudou, e o que devemos fazer? Ainda no primeiro momento, o debate esteve voltado apenas para as questões econômicas – era preciso garantir a sobrevivência e os empregos da população em geral. Aos poucos, com a conquista das vacinas, graças ao poder da ciência e do conhecimento (mais uma vez, a educação mudando a própria História da humanidade), esse “novo normal” foi fazendo parte das nossas vidas e tivemos que aprender a conviver com máscaras e restrições sociais o tempo todo. E não vai ser diferente com a escola, o futuro já está descrito (e previsto por quem busca o saber): vamos ter que conviver com esse novo vírus, assim como a gente já convive com outros tantos, aprender com os erros e se preparar para novas pandemias. Não vamos mais escapar disso, o mundo está um caos! Não foi fácil para ninguém, e até hoje precisamos enfrentar tudo isso... Ainda há muita resistência! São muitas as “novidades”, assim como os desafios necessários. E, em relação à EDUCAÇÃO, esse debate NÃO pode morrer! 

“A EDUCAÇÃO, DIREITO DE TODOS E DEVER DO ESTADO E DA FAMÍLIA, SERÁ PROMOVIDA E INCENTIVADA COM A COLABORAÇÃO DA SOCIEDADE”, O assim nos diz a Constituição Federal de 1988. Mas, o que estamos vendo no município de Ruy Barbosa (BA) vai na contramão da universalização do ensino, de tudo que a própria humanidade já experimentou com o luto recente e, mesmo diante de tantas adversidades, já vem mostrando que o mundo precisa seguir, as coisas precisam voltar pelo menos ao “normal”. Foi assim com o comércio, grande preocupação da sociedade, com os serviços públicos, com os trabalhadores informais, com a saúde (que nunca parou), e por que não chegaria a vez da educação? O governador do Estado da Bahia autorizou o retorno das atividades presenciais na modalidade híbrida a partir do mês de agosto de 2021. A Prefeitura de Ruy Barbosa, seguindo o decreto estadual, editou um decreto municipal autorizando que as escolas (públicas e privadas) desenvolvessem atividades letivas presenciais também a partir do dia 9 de agosto. Algumas comparações, portanto, precisam ser feitas! 

As escolas particulares já estão desenvolvendo atividades presenciais há muito tempo. Verdade seja dita: nunca pararam! Desde o momento que as escolas foram fechadas, quando ainda não se sabia quase nada desse vírus, novas formas de ensino foram colocadas em prática e testadas (ensino remoto, híbrido, semipresencial). Os alunos, por sua vez, em função da cobrança dos pais que pagam as mensalidades, nunca foram deixados na mão, sempre tiveram o privilégio de contar com o suporte dos professores e das instituições, virtualmente ou não, de modo integral, cumprindo, assim, com toda a carga horária necessária e justa em cada fase pela qual passa o nosso aluno, além de fazerem o uso (mais que necessário no mundo de hoje) de materiais inovadores, coloridos, atrativos e tecnológicos. Como competir com tudo isso? No momento atual, por conta de todo um planejamento prévio, tais alunos já podem desfrutar do retorno das aulas e do convívio novamente no espaço escolar. 

Por outro lado, a escola estadual da nossa cidade, que esteve ausente no primeiro ano de pandemia, vem, também, desenvolvendo atividades presenciais. Com muita pressão política, em meio a muitas críticas e por envolver dinheiro (eventual “corte” de salário dos professores), a coisa parece que andou, o cenário é outro no CEMAN... 

Infelizmente, indo de encontro a toda essa discussão que a própria sociedade precisou parar e fazer quanto ao desenvolvimento educacional dos nossos jovens – o futuro dessa geração –, além de contrariar o que diz a nossa Constituição Federal, vemos a educação municipal ser negligenciada, deixada de lado, uma vez que nossos filhos, sobrinhos, enteados, netos, enfim, nossos alunos estão tendo o seu direito à educação negado há bastante tempo. São quase 2 anos com as escolas fechadas, com promessas de aula todo santo mês... Aluno sem aula, parado em casa, sem nada para fazer, ou pior, na rua, apenas dando mais trabalho aos próprios pais. Enquanto o mundo não para de reinventar a educação, em pensar no casamento entre educação e novas tecnologias, em tornar todo esse saber significativo para cada um, a nossa cidade, ao que parece, parou definitivamente no tempo e no espaço... 

Aos alunos da rede municipal de ensino, desde o mês de abril de 2020, foram ofertados, até então, uma só possibilidade: aulas remotas por meio de programa de rádio (hoje, o programa é gravado previamente). O aluno tem, apenas, a cada semana, acesso a uma aula de 50 minutos a 1 hora, de um tema amplo, geral, transversal e muitas vezes repetitivo. Além disso, conta com uma lista xerografada com exercícios das mais diferentes disciplinas para dar conta, sozinho, em casa, durante o mês, sem qualquer tipo de explicação ou chance de assunto revisado. Sem o professor para ajudar. Como os pais vão dar conta de tanta coisa? Depois, mensalmente, devolve as atividades (até então, ainda não devolvidas ao aluno em 2021, que deveria ser o foco maior de atenção, apenas acumuladas, quase ao final do ano letivo, certo?). 

O aluno apenas cumpre com essa obrigação formal, já que se trata de uma exigência para poder receber o kit de alimentação junto com as atividades impressas. E, nessa relação de ensino e aprendizagem, não sabe se acertou ou errou as questões propostas, se vem aprendendo (ou não), em virtude do fato de que não tem o devido acompanhamento pedagógico, a correção, a atenção, o cuidado e o zelo dos seus professores. Esses profissionais, que deveriam mediar toda essa relação de busca por conhecimento, apenas aparece ao final do ano para “aprovar” todo e qualquer aluno, como se deu no ano passado aqui no município. 

E, dessa forma, os conteúdos de LÍNGUA PORTUGUESA, MATEMÁTICA, CIÊNCIAS, HISTÓRIA, GEOGRAFIA, ARTES, EDUCAÇÃO FÍSICA, LÍNGUA ESTRANGEIRA (INGLÊS) e ENSINO RELIGIOSO são esquecidos, como se a vida, lá na frente, fosse “passar pano” para esses jovens que não puderam aprender, no momento que deveriam estar na escola, que ficaram quase dois anos parados, que tiveram esse direito básico limitado, esquecido, ignorado. Como não pensar e não se preocupar com esse mesmo jovem, praticamente alienado de tudo, no momento em que for escolher uma profissão, ou prestar um vestibular, um concurso público? Será que vão conseguir competir com alunos vindos da escola participar, que seguiram todo o processo escolar, sem interrupções, tendo todas as suas aulas dadas e todos os privilégios da vida? De quem será a culpa? Depois, é a atual juventude que não presta, que não quer saber de nada, que não vai para lugar algum... 

O programa de rádio, até o ano passado, apesar da pouca interação entre professores e alunos, cumpriu com a demanda inicial, tendo sido importante naquele momento, mas, atualmente, não pode continuar servindo como medida/método único para saírem por aí dizendo que algo está sendo feito pelos alunos da cidade... Simplesmente não dá mais para aceitar esse “discurso”, todo mundo sabe que tudo isso que está sendo ofertado é pouco diante das demandas que nossos aprendizes precisam lidar diariamente, na escola e fora dela. 

“Atividades remotas sem a devolutiva dos professores em virtude de não existirem professores suficientes para atender a demanda do município”, será verdade? Onde estão os demais professores que não foram contratados para corrigir as atividades e dar o devido acompanhamento aos alunos? Não só isso, estar presente para as eventuais dúvidas e esclarecimentos por parte de qualquer aluno da rede municipal, sempre que precisar e for oportuno. Se tem um concurso válido, feito ainda no primeiro ano de pandemia, por que não convocar esses aprovados para que acompanhem todos os alunos, sem qualquer tipo de segregação entre zona urbana e rural? Como será a aprovação (e a reprovação) dos alunos matriculados na rede municipal de Ruy Barbosa em 2021? Todo mundo vai passar de ano, como foi no ano anterior? Ao que parece, o que menos preocupa é a educação, correto? 

As festas foram liberadas, os passeios de moto, barzinhos, aglomerações políticas, contudo as escolas do município seguem fechadas, sem atividades presenciais, sem a possibilidade do aluno ter contato com os seus instrutores, prejudicando, exclusivamente, o aluno da escola pública. Será mais uma estratégia para quando os casos subirem justificarem o não retorno das atividades presenciais? Ninguém sabe de nada... Escolas que poderiam ter sido reformadas em mais de um ano de atividades não presenciais, misteriosamente, como foi anunciado, serão reformadas quando era para as atividades letivas retornarem com toda força e gás... Nada contra a melhoria física das unidades escolares, entretanto, soa estranho “reforma” iniciar justamente quando era para já estarem prontas para atender aos alunos que precisam urgentemente de aulas. Até quando? Não é assim que queremos pensar a educação do nosso município... A desculpa que não se sustenta mais é a pandemia! 

A forma como o ambiente de aprendizagem é estruturado incide de maneira significativa sobre a qualidade das experiências que acontecem na escola. Um ambiente de qualidade é um lugar de encontros, descobertas, conhecimento, reconhecimento, socialização, comunicação e aprendizagens. Por isso, ESTAMOS AQUI DEFENDENDO A ESCOLA PÚBLICA, IMPLORANDO PELA ABERTURA E RETOMADA DE TODAS AS ATIVIDADES, DAS ESCOLAS COMPLETAMENTE ABERTAS, DE FORMA INTEGRAL, PARA ATENDER AOS SEUS ALUNOS. Só assim poderemos ver, enfim, os alunos estudando novamente, voltando a sonhar, desejando mudar a própria realidade... Que Deus dê sabedoria aos nossos governantes, para quem está no poder, para mudar esse triste cenário e, assim, a educação voltará ao centro do debate, ao lugar de onde nunca deveria ter sido tirada... 

Nossos alunos das escolas públicas municipais merecem mais respeito, uma vez que o déficit educacional do ensino não presencial perdurará por muitos e muitos anos... E, o quanto antes as atividades presenciais retornarem, melhor será para o nosso alunado. Essa conta, de forma cruel, os próprios alunos vão pagar na vida, acordem! De acordo com o Censo Escolar de 2020, a rede municipal de educação de Ruy Barbosa é composta por 4.818 alunos (Educação Infantil, Ensino Fundamental e Educação de Jovens e Adultos). São quase 5.000 alunos precisando de atenção! Mais uma vez, cabe essa reflexão: qual a diferença entre aqueles que estudam na rede pública e aqueles que estudam na rede particular? A Constituição Federal garante a igualdade e reforça que A EDUCAÇÃO É DIREITO DE TODOS e dever do Estado e da família. Os nossos jovens precisam de atenção e prioridade total agora, não dá mais para esperar! 

Como o brasileiro é um povo esquecido, não esqueçamos de que 2022 é ano eleitoral. Todo esse descaso com a educação, com o aluno e com o seu povo será lembrado, pois a História sempre se lembra daqueles que por onde passaram deixaram rastros, bons ou ruins. A EDUCAÇÃO TRANSFORMA, A EDUCAÇÃO MUDA VIDAS! EDUCAÇÃO NÃO É GASTO, É INVESTIMENTO! 

PENSEM NISSO! 

Por mais respeito e empatia aos alunos da rede municipal de Ruy Barbosa, já! 

Atenciosamente, 

Pais, alunos e membros da sociedade rui-barbosense. 

Setembro de 2021

(Autor desconhecido)




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