Ruy Barbosa é finalista nacional no concurso “Melhores Receitas da Alimentação Escolar”


A receita "Sabores do Sertão: Maxixada com Andu e Carneiro Assado ao Molho de Umbu" colocou o semiárido baiano em evidência nacional ao garantir vaga na etapa final do Concurso Melhores Receitas da Alimentação Escolar - 3ª Edição, iniciativa vinculada ao Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). Representando o município de Ruy Barbosa, a receita foi desenvolvida na Escola Municipal Emmanuel Brasil Ramos e tornou-se símbolo da valorização da cultura alimentar sertaneja, da agricultura familiar e da alimentação escolar saudável dentro da rede pública de ensino.

Mais do que um prato, a receita representa memória, identidade cultural, sustentabilidade e valorização dos saberes populares presentes na alimentação do sertão brasileiro. O trabalho passou por um rigoroso processo de avaliação técnica, atendendo aos critérios exigidos pelo PNAE, como viabilidade de execução na alimentação escolar, criatividade, inovação culinária, utilização de alimentos in natura e minimamente processados, valorização da sociobiodiversidade brasileira e incentivo às práticas alimentares saudáveis e sustentáveis.

Na etapa eliminatória, a proposta concorreu com cerca de 100 receitas. Já na fase classificatória, alcançou a maior pontuação da Bahia, obtendo 99 pontos de 100 possíveis, consolidando-se como uma das experiências mais relevantes da alimentação escolar no estado.

A receita tem como essência ingredientes tradicionais do semiárido e alimentos historicamente presentes na agricultura familiar e de subsistência da região. O andu, uma leguminosa resistente às condições climáticas do sertão, representa segurança alimentar e ancestralidade alimentar nordestina. A palma associada ao espinafre, utilizada como Planta Alimentícia Não Convencional (PANC), amplia o valor nutricional da preparação e reforça o potencial das espécies adaptadas ao clima semiárido. Outro destaque é a utilização da carne de carneiro, alimento fortemente ligado à agricultura de subsistência e às tradições das famílias sertanejas, simbolizando resistência, sustento e identidade cultural do interior nordestino.

O molho de umbu traz ainda mais significado ao prato. Conhecido como símbolo de resistência do sertão, o umbuzeiro é uma espécie nativa fundamental para a sociobiodiversidade do semiárido brasileiro. Além de sua importância cultural e alimentar, o uso do umbu na receita chama atenção para a necessidade de preservação da espécie diante das ameaças ambientais e das transformações no ecossistema da Caatinga.

A proposta também evidencia a importância da merenda escolar como instrumento de educação, pertencimento cultural e promoção da saúde. Nesse contexto, ganha destaque o trabalho da merendeira Rosineide Gomes dos Santos, cuja dedicação, sensibilidade e conhecimento culinário ajudaram a transformar ingredientes tradicionais do sertão em uma experiência alimentar inovadora dentro da escola pública. A felicidade e emoção de Rosineide refletem o reconhecimento do papel das merendeiras e dos merendeiros da rede pública de ensino, profissionais que diariamente contribuem para uma alimentação escolar mais humana, saudável, afetiva e conectada à realidade dos estudantes.

O concurso fortalece o protagonismo desses trabalhadores, incentivando a criação e o compartilhamento de práticas culinárias inovadoras comprometidas com a Alimentação Saudável e Adequada no ambiente escolar. Além do reconhecimento nacional, a etapa final prevê premiação para a merendeira responsável pela receita e também para a unidade escolar, valorizando o esforço coletivo da comunidade escolar. A premiação contará ainda com um evento especial de celebração, reunindo experiências exitosas da alimentação escolar brasileira e destacando iniciativas que fortalecem a educação alimentar e nutricional nas escolas públicas.

A etapa final do concurso terá início no próximo dia 15 de maio de 2026 e contará com votação online, mobilizando escolas, comunidades e apoiadores em todo o país. A classificação da receita representa não apenas uma conquista gastronômica, mas também uma celebração da cultura alimentar do semiárido, da agricultura familiar, da escola pública e da força das pessoas que transformam a alimentação escolar em cuidado, identidade e aprendizado.


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