IBGE finaliza Censo na comunidade quilombola Flores, em Ruy Barbosa



“Dar visibilidade a essas comunidades historicamente esquecidas, trazendo, dessa forma, a possibilidade de elas serem incluídas no planejamento de políticas públicas”. Poliana Pereira, agente censitária municipal (ACM) da cidade baiana de Ruy Barbosa (a 321 km de Salvador), resume assim a importância do Censo 2022 para os povos quilombolas, já que a pesquisa é o primeiro levantamento estatístico do Brasil a ter dados específicos para essa população.

Poliana foi responsável por gerenciar a pesquisa na comunidade quilombola Flores, localizada a 3 km da sede de Ruy Barbosa. No levantamento, que se encerrou no fim de dezembro de 2022, foram contados 218 domicílios ocupados.

Segundo a ACM, a receptividade dos moradores foi boa, e a equipe censitária tomou diversas ações para facilitar a realização do Censo no local: “Fizemos a reunião de abordagem, distribuímos cartazes de divulgação nos estabelecimentos do quilombo e demos algumas entrevistas na rádio local para falar sobre o quanto esse Censo é especial para essa comunidade”, explicou.

Apoio local que vence resistências

De acordo com Poliana, o desafio mais importante para o recenseamento da comunidade foi convencer certos moradores a responder a pesquisa corretamente, porque muitos tinham medo de que as respostas dadas à pesquisa pudessem acarretar o corte de benefícios sociais.

Para isso, além de sempre lembrar da Lei do Sigilo Estatístico, a equipe censitária contou com o apoio de Maria Benilda dos Santos, uma das lideranças locais.

A líder comunitária deu um grande apoio, facilitando o acesso da recenseadora aos domicílios, atuando como uma espécie de guia, informando e convencendo sobre a importância de se responder ao Censo.

“Tínhamos uma preocupação sobre como a pesquisa seria realizada em nossa comunidade, porque compreendemos que os resultados lá na frente vão nortear o planejamento de ações da prefeitura e de outras instâncias da administração pública em nosso território”, afirmou Maria Benilda.

Ela conta que a origem da comunidade – reconhecida oficialmente em 2017 pela Fundação Cultural Palmares – remonta à década de 1940, quando o lugarejo recebeu trabalhadores vindos do Recôncavo baiano para atuar na construção de uma ferrovia e da sua estação ferroviária.

Quem realizou as entrevistas na comunidade foi a recenseadora Jacqueline Oliveira, que já havia trabalhado no local como agente de endemias. Poliana acredita que o fato de ela já ser conhecida pela população também ajudou na receptividade. A ACM também ressaltou a importância do Agente Censitário Supervisor (ACS) Roney Boaventura, que, além da supervisão em campo, também foi o responsável por realizar a Pesquisa Urbanística do Entorno dos Domicílios no local.

No final de dezembro, ocorreu a reunião de encerramento da coleta do Censo no quilombo Flores. No encontro, foi reapresentada, de forma resumida, a metodologia utilizada pelo IBGE e forma divulgados, de forma preliminar, alguns dados sobre essa população, levantados ao longo da pesquisa.

FONTE: https://censo2022.ibge.gov.br/
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